Informações foram recolhidas pela Polícia Civil de São Paulo e poderão ser usadas em apuração sobre suspeitas envolvendo recursos públicos
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o compartilhamento com a Polícia Federal (PF) de informações apreendidas pela Polícia Civil de São Paulo (PCSP) durante uma investigação envolvendo Karina Ferreira da Gama, produtora do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A decisão, assinada nesta segunda-feira (24), permite que os investigadores federais tenham acesso ao material recolhido na operação realizada pela polícia paulista. Os dados poderão ser utilizados em um inquérito que apura suspeitas relacionadas ao financiamento da produção cinematográfica.
O processo tramita sob sigilo. A informação sobre a decisão foi divulgada inicialmente pela coluna de Bela Megale, do jornal O Globo.
Investigação em São Paulo
A Polícia Civil de São Paulo realizou uma operação em junho para investigar suspeitas de fraude e desvio de recursos públicos em um contrato firmado entre o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Prefeitura de São Paulo.
Durante a ação, foram cumpridos mandados de busca em dois endereços ligados a Karina, além das sedes do Instituto Conhecer Brasil e da Go Up Entertainment, empresa responsável pela produção de Dark Horse.
PF apura origem de recursos do filme
A investigação conduzida pela Polícia Federal ganhou novos elementos após surgirem informações sobre recursos destinados à produção do filme.
No mês passado, Flávio Dino já havia autorizado a PF a investigar possíveis repasses de emendas parlamentares para empresas e entidades relacionadas à produtora.
As apurações também analisam a relação da produtora com o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. De acordo com informações divulgadas pelo Metrópoles, aportes realizados por Vorcaro para a produção fizeram com que a empresa e o filme entrassem no radar da PF e do STF.
Outro ponto investigado envolve a destinação de emendas parlamentares. Em maio, o deputado federal Mario Frias (PL-SP) foi questionado por Dino sobre a suspeita de ter destinado R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil, organização ligada à produção do filme.
Frias negou que os recursos tenham sido utilizados para financiar Dark Horse. Em manifestação enviada ao STF, a defesa do parlamentar afirmou que é falsa a informação de que emendas de sua autoria teriam custeado a produção.
O que será analisado pela PF
Com a autorização para acessar os dados apreendidos em São Paulo, a Polícia Federal poderá examinar documentos e outras informações recolhidas durante a operação envolvendo Karina e as instituições relacionadas à produção do filme.
A investigação federal busca verificar se recursos públicos provenientes de emendas parlamentares foram destinados a entidades ligadas à produção de Dark Horse e se, eventualmente, esses valores foram utilizados no financiamento do longa-metragem.
O compartilhamento do material não significa que as suspeitas tenham sido comprovadas. A PF ainda deverá analisar as informações e reunir elementos que possam confirmar ou afastar as irregularidades investigadas.
Flávio Bolsonaro também aparece no caso
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também está relacionado ao contexto da investigação. Segundo o Metrópoles, ele solicitou no mês passado que o caso deixasse a relatoria de Flávio Dino e fosse encaminhado ao ministro André Mendonça.
Mendonça conduz outra investigação relacionada ao financiamento de R$ 61 milhões atribuído a Daniel Vorcaro. O pedido ocorre enquanto são analisadas possíveis relações financeiras entre o banqueiro, a produção do filme e pessoas ligadas ao projeto.
As investigações seguem em andamento no STF e na Polícia Federal. Com a decisão, os investigadores federais passam a contar com um conjunto maior de informações para verificar a origem e a destinação dos recursos relacionados à produção de Dark Horse.
Com informações do Portal Metrópoles.




