Sabonete à base de caimbé criado por estudantes de Boa Vista ganha destaque nacional em competição do Sebrae

O que começou como um projeto para a Feira de Ciências da Escola Estadual Major Alcides Rodrigues Santos, em Boa Vista, transformou-se em uma iniciativa de pesquisa, inovação e empreendedorismo que ganhou reconhecimento nacional. Desenvolvido em 2024, um sabonete líquido esfoliante produzido a partir do caimbé (Curatella americana), planta típica de Roraima, levou estudantes da rede pública a participarem do Desafio Liga Jovem, promovido pelo Sebrae.

A ideia surgiu durante atividades escolares voltadas para a Feira de Ciências. Inicialmente, os alunos pretendiam desenvolver um esfoliante utilizando o látex da planta, mas as dificuldades no processo levaram a equipe a buscar alternativas. A solução encontrada foi utilizar as folhas do caimbé, conhecidas pela textura áspera, para criar um sabonete líquido esfoliante.

Com o avanço da pesquisa, os estudantes Larissa Siqueira, Antônio Pontes e Antony Gabriel assumiram a liderança do projeto. A equipe realizou diversas etapas de testes até chegar à fórmula final, que foi avaliada por dezenas de voluntários antes de ser aperfeiçoada.

Além do aspecto científico, a iniciativa também despertou o interesse pelo empreendedorismo. Em 2025, o projeto foi selecionado para o Desafio Liga Jovem, considerada a maior competição de empreendedorismo estudantil do Brasil. A proposta permitiu que os alunos apresentassem o potencial do produto e da biodiversidade roraimense para participantes de diversas regiões do país.

Segundo os estudantes, a experiência proporcionou aprendizado em áreas como trabalho em equipe, resolução de problemas, pesquisa científica e desenvolvimento de negócios. A participação em um evento nacional também permitiu divulgar o caimbé para pessoas que desconheciam as propriedades da planta.

O sucesso da iniciativa já inspira novos projetos. Para 2026, a equipe pretende desenvolver um hidratante facial utilizando a mesma matéria-prima, ampliando as possibilidades de pesquisa e inovação a partir de espécies nativas de Roraima.

Para o professor orientador Reildo Cerdeira, a experiência demonstra como a educação científica pode abrir caminhos para o empreendedorismo e para a formação profissional dos estudantes. O projeto também foi selecionado para o programa Ciência na Escola, reforçando o potencial da pesquisa desenvolvida dentro da rede pública de ensino.

A iniciativa é apontada como um exemplo de como a união entre educação, ciência e inovação pode gerar oportunidades, valorizar a biodiversidade regional e incentivar jovens a transformarem conhecimento em soluções com potencial de mercado.

Facebook
X
Telegram
WhatsApp