“É animal morrendo, animal caindo”. O relato é do ribeirinho Rivander Galvão, morador de Caracaraí, no Sul de Roraima, ao descrever os impactos das enchentes que atingem a região durante o período chuvoso.
Em um vídeo registrado no município, moradores aparecem tentando resgatar um boi debilitado e machucado. O animal foi colocado em uma canoa e transportado por cerca de 300 metros, enquanto algumas pessoas empurravam a embarcação dentro da água.
Segundo Rivander, os moradores enfrentam prejuízos todos os anos com a perda de animais, áreas de pastagem e produção agrícola devido às cheias.
Na última semana, a água passou por cima da ponte sobre o rio Barauana, na BR-432, uma das primeiras áreas de Roraima a sofrer com os efeitos das chuvas intensas.
Com o avanço da cheia, vários animais acabam ficando isolados em áreas alagadas e alguns morrem afogados.
“Alaga o pasto, alaga tudo. Todo ano é isso. Não vou reclamar muito porque moro na beira do rio, mas antes não alagava assim. Os animais acabam morrendo: galinha, porco, carneiro. Já tirei muitos animais daqui, mas teve bicho que não conseguiu sair”, relatou o morador.
Além de Caracaraí, outros municípios de Roraima também enfrentam graves impactos causados pelas chuvas.
Até o momento, Bonfim, Uiramutã, Normandia, Rorainópolis e Mucajaí decretaram situação de emergência devido aos alagamentos, destruição de pontes, isolamento de comunidades e danos em estradas vicinais.
Em Bonfim, cerca de 7,5 mil pessoas ficaram sem acesso terrestre após a destruição de pontes. Já em Uiramutã, a queda de uma ponte deixou o município isolado.
Normandia enfrenta rompimento de estradas e suspensão de aulas em comunidades afetadas pelas cheias. Em Rorainópolis, aproximadamente 2 mil pessoas foram atingidas pelos alagamentos.
No município de Mucajaí, moradores relatam estradas intrafegáveis e danos em pontes de acesso.




