A Justiça de Roraima prorrogou por mais 10 dias a prisão do delegado da Polícia Civil de Roraima, Rick Silva e Silva, de 40 anos, titular da delegacia de Rorainópolis, no Sul do estado.
Ele foi preso no dia 14 de abril durante a Operação Conluio, que apura o duplo homicídio do empresário Edgar Silva Pereira, de 60 anos, e da esposa, Rossana de Lima e Silva, de 49.
Inicialmente, o delegado permaneceria preso até esta sexta-feira (24), mas a Justiça decidiu estender o prazo no curso das investigações, que seguem sob sigilo. Um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa também foi negado.
Defesa contesta decisão
Os advogados Adriano Santos e Igor Lyniker afirmaram que vão adotar medidas judiciais para reverter a decisão. Segundo eles, a prorrogação da prisão é “desnecessária”, “desproporcional” e incompatível com princípios constitucionais, como a presunção de inocência e o devido processo legal.
A defesa informou ainda que não pode detalhar o conteúdo do processo devido ao segredo de Justiça, mas disse confiar na reavaliação do caso com base nas garantias legais.
Investigação segue com força-tarefa
A Polícia Civil informou que a prorrogação ocorreu no âmbito das investigações conduzidas pela Delegacia Geral de Homicídios, e reforçou o compromisso com a responsabilização de todos os envolvidos, independentemente de cargo público.
Durante a operação, também foram cumpridos oito mandados em Rorainópolis e em Boa Vista. Na residência do delegado, foram apreendidos celular, notebook, uma pistola institucional e munições.
A prisão foi acompanhada pela Corregedoria-Geral da Polícia Civil, que instaurou procedimento administrativo para apurar a conduta do delegado.
A ação é conduzida em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas, com apoio da Secretaria de Segurança Pública.
Desde o início das investigações, já foram expedidos 25 mandados de busca e apreensão.
Caso teve início após desaparecimento
A investigação começou após o desaparecimento do casal, em dezembro de 2025. No dia seguinte, os corpos foram encontrados dentro de uma caminhonete incendiada em uma vicinal.
Segundo familiares, as vítimas saíram de casa para resolver um assunto e não retornaram. Devido à complexidade do caso, a investigação passou a ser conduzida pela Delegacia Geral de Homicídios.
Um trecho de decisão judicial anterior aponta que havia relações conflituosas entre as vítimas e investigados, além de indícios de envolvimento com práticas de agiotagem.



