Artista roraimense é premiada em edital nacional com obra que homenageia líder Yanomami

A artista plástica e artesã Alicia Bianca Fernandes Silva foi uma das selecionadas no edital nacional “Arte, Amazônia e seus Povos: A Amazônia é agora! A Amazônia somos nós”, representando o estado de Roraima na categoria individual. A iniciativa foi promovida pela organização ARTIGO 19.

O chamamento teve como objetivo mobilizar artistas e coletivos de todo o país a refletirem, por meio da arte, sobre sustentabilidade, povos amazônicos, biodiversidade e desafios climáticos, em diálogo com os debates da COP 30, realizada em Belém no ano passado. Ao todo, 19 trabalhos foram selecionados nas linguagens de ilustração, charge, cartum e fotografia.

“Ser premiada em um concurso nacional que valoriza a Amazônia mostra que a arte produzida em Roraima ultrapassa fronteiras. É uma forma de afirmar que nosso estado tem identidade, força e voz própria”, destacou Alicia.

Obra homenageia Davi Kopenawa

A obra premiada, intitulada “A Ferida de Kopenawa”, presta homenagem ao líder indígena Davi Kopenawa, reconhecido internacionalmente por sua defesa da floresta e dos povos originários.

Segundo a artista, o trabalho é um manifesto visual que representa o sofrimento e a resistência da Amazônia. No centro da composição, um coração em chamas simboliza os impactos do garimpo ilegal, das queimadas e das invasões na Terra Indígena Yanomami. A expressão de dor contrasta com elementos como o urucum e o maracá, associados à proteção, espiritualidade e luta.

A proposta da obra é reforçar a interconexão entre natureza e humanidade, colocando o sofrimento indígena no centro do debate climático.

Trajetória

Autodidata, Alicia nasceu em Boa Vista e iniciou na arte aos 12 anos. Atualmente é acadêmica de Arquitetura e Urbanismo na Universidade Federal de Roraima, além de atuar como artesã e modelo.

Ao longo da carreira, já conquistou 19 premiações em concursos regionais, nacionais e internacionais. Suas ilustrações também já integraram publicações institucionais e obras literárias.

Em 2025, tornou-se a mais jovem roraimense a integrar a Academia de Literatura, Arte e Cultura da Amazônia (ALACA), onde ocupa a cadeira nº 329. No mesmo ano, recebeu a Medalha Pena de Ouro na categoria Criação Cultural e Artística, durante cerimônia realizada em Manaus.

Com a nova premiação, a artista reforça o protagonismo da produção cultural roraimense no cenário nacional e amplia o debate sobre a preservação da Amazônia por meio da arte.

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