Malária segue concentrada na Região Norte e exige atenção com prevenção e diagnóstico precoce

A malária, doença infecciosa causada pelo parasita Plasmodium, mantém alta concentração de casos nos estados da Região Norte do Brasil, especialmente na Amazônia, que reúne mais de 99% das ocorrências no país. A transmissão acontece por meio da picada da fêmea do mosquito Anopheles, conhecido como mosquito-prego, em ambientes com clima quente e úmido, favoráveis à proliferação do vetor.

O ciclo da doença ocorre quando o mosquito se infecta ao picar uma pessoa contaminada e, posteriormente, transmite o parasita a outro indivíduo saudável. No Brasil, as formas mais comuns são causadas pelo Plasmodium falciparum, responsável pelos casos mais graves, e pelo Plasmodium vivax. Após entrar na corrente sanguínea, o parasita atinge órgãos como o baço e destrói glóbulos vermelhos.

Sintomas e diagnóstico

Os sintomas costumam surgir entre sete e 15 dias após a infecção. Entre os sinais mais comuns estão febre alta, calafrios, suor intenso, dor de cabeça, náuseas, vômitos e fraqueza. Em casos mais graves, podem ocorrer complicações como confusão mental, convulsões, anemia severa e insuficiência renal ou respiratória.

O diagnóstico é feito por exame de sangue, como a gota espessa, que permite identificar o parasita e sua espécie. Em locais com menor infraestrutura, também são utilizados testes rápidos.

Prevenção e tratamento

A prevenção envolve evitar áreas próximas a rios, igarapés e regiões de mata, principalmente entre o entardecer e o amanhecer. O uso de mosquiteiros, roupas de proteção e repelentes é recomendado, além da instalação de telas em portas e janelas e eliminação de criadouros.

O tratamento é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e varia conforme a espécie do parasita. Em geral, pode durar de três a sete dias, com medicamentos específicos. Casos mais graves exigem internação hospitalar.

Casos e cenário em Roraima

Em Roraima, há internações mensais por malária, especialmente em casos mais graves ou recorrentes. Durante períodos da estação seca, como entre dezembro e fevereiro, costuma haver aumento de casos, associado à maior circulação de pessoas em áreas de risco.

Crianças, gestantes, idosos e pessoas com baixa imunidade apresentam maior risco de desenvolver formas graves da doença.

Redução de mortes na Terra Yanomami

Dados recentes do Ministério da Saúde apontam uma redução de 80,8% nos óbitos por malária na Terra Indígena Yanomami em 2025, em comparação com 2023. Ao mesmo tempo, houve ampliação significativa da testagem, com aumento expressivo no número de exames realizados.

O avanço é considerado relevante, já que Roraima concentra grande parte do território e da população Yanomami no Brasil.

Sobre o HU-UFRR

O Hospital Universitário da Universidade Federal de Roraima integra a rede de hospitais universitários federais desde 2024. As unidades atuam no atendimento pelo SUS, além de contribuir para a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas.

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