Regras do calendário eleitoral entram em vigor e proíbem candidatos de participar de inaugurações de obras públicas

Entraram em vigor neste sábado (4) as novas regras do calendário eleitoral para as eleições gerais de 2026, que estabelecem uma série de restrições para candidatos e agentes públicos. As medidas, previstas em resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), passam a valer três meses antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, e têm como objetivo garantir a igualdade de condições entre os concorrentes e preservar a lisura do processo eleitoral.

Entre as principais determinações está a proibição da participação de candidatos em inaugurações de obras públicas. Também fica vedada a contratação de shows artísticos custeados com recursos públicos para esses eventos durante o período eleitoral.

A partir desta data, agentes públicos também ficam impedidos de nomear, contratar, admitir, demitir sem justa causa, conceder vantagens, remover, transferir ou exonerar servidores públicos até a posse dos eleitos. A legislação, no entanto, prevê exceções para cargos em comissão, concursos públicos homologados até este sábado, serviços públicos essenciais e movimentações de militares, policiais civis e policiais penais.

Outra restrição diz respeito às transferências voluntárias de recursos entre os entes federativos. Até a realização das eleições, a União não poderá transferir recursos voluntários para estados e municípios, assim como os estados ficam impedidos de repassar esse tipo de verba aos municípios. A exceção ocorre quando os recursos forem destinados a obras e serviços que já estejam em execução, com cronograma previamente estabelecido, ou para ações de emergência e calamidade pública.

Também passa a valer a proibição da publicidade institucional de atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos. A divulgação somente será permitida em situações de grave e urgente necessidade pública reconhecidas pela Justiça Eleitoral ou quando se tratar de publicidade relacionada a produtos e serviços que concorram no mercado.

A resolução do TSE ainda proíbe pronunciamentos de agentes públicos em cadeia de rádio e televisão fora do horário eleitoral gratuito, salvo quando houver autorização da Justiça Eleitoral em razão da relevância e urgência do tema relacionado às funções governamentais.

Os órgãos públicos também deverão adequar seus canais oficiais de comunicação. Sites institucionais, redes sociais e demais plataformas deverão retirar nomes, slogans, símbolos, imagens e demais elementos que possam identificar autoridades, governos ou administrações cujos cargos estejam em disputa nas eleições. Permanecem disponíveis apenas as informações exigidas pelas normas de transparência pública.

Outra medida autoriza a cessão de servidores públicos à Justiça Eleitoral, desde que solicitada pelos tribunais eleitorais e devidamente justificada. A autorização permanecerá válida até 4 de janeiro de 2027 nos estados onde houver apenas primeiro turno e até 25 de janeiro de 2027 nas unidades da Federação que realizarem segundo turno.

As restrições fazem parte do calendário oficial das eleições de 2026 e buscam impedir o uso da máquina pública em benefício de candidaturas, assegurando maior equilíbrio na disputa eleitoral e transparência durante o processo democrático.

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