Agressão e ameaça contra técnica de enfermagem são registradas na Terra Indígena Yanomami

O Ministério da Saúde solicitou a apuração do caso, informou que a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) “está prestando todo o apoio necessário” à profissional e anunciou a retirada preventiva da equipe que atuava na região.

Uma técnica de enfermagem foi agredida e ameaçada na noite da última quinta-feira (5), no Polo Base Missão Catrimani, localizado na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. Após o ocorrido, a profissional foi encaminhada ao Hospital Geral de Roraima (HGR), em Boa Vista, onde passou por avaliação médica.

Conforme relatório elaborado por 11 profissionais de saúde que atuam no polo, a agressão aconteceu por volta das 19h, no momento em que a técnica se deslocava do alojamento até o refeitório, onde era servido o jantar.

Colegas de trabalho relataram que ouviram pedidos de socorro e, ao chegarem ao local, encontraram a profissional caída ao chão, visivelmente abalada, apresentando escoriações nos joelhos, no abdômen e nos membros inferiores, além de inchaço em um dos dedos da mão.

Ainda segundo o documento, a vítima contou que foi surpreendida por trás por um indígena, que teria tapado sua boca e nariz, segurado seu pescoço e feito ameaças. “Cala a boca que agora vou cortar teu pescoço”, teria dito o suspeito em tom baixo, próximo ao ouvido da técnica. A profissional conseguiu se desvencilhar parcialmente, mas acabou sendo empurrada ao chão, momento em que conseguiu gritar por ajuda.

A equipe de saúde prestou os primeiros atendimentos à vítima e comunicou o ocorrido à coordenação do Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami (Dsei-Y). Agentes da Força Nacional iniciaram buscas na região com o objetivo de identificar o autor da agressão.

Lideranças indígenas ouvidas pelos profissionais informaram que o suspeito seria integrante de uma comunidade próxima e teria sido visto nas proximidades do polo pouco antes do ataque. Até o momento, não há confirmação sobre a prisão do suspeito.

No relatório, os trabalhadores afirmam não se sentirem seguros para permanecer no local. “A equipe não se sente segura nem confiante para continuar em um ambiente onde a impunidade parece prevalecer”, destaca o documento.

À Folha , a presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Privados de Serviço de Saúde de Roraima (Siemesp-RR), Joana Gouveia, informou que foi solicitada a retirada imediata da equipe da área.

“O sindicato vai registrar um boletim de ocorrência e já solicitou ao coordenador que toda a equipe seja retirada. A Sesai e o governo federal precisam adotar medidas para garantir a segurança dos trabalhadores, porque, da forma como está, não compensa se arriscar”, afirmou.

O que diz o Ministério da Saúde

Em nota, o Ministério da Saúde repudiou “todo e qualquer ato de violência contra profissionais de saúde” e solicitou a apuração dos fatos. A pasta informou ainda que a Sesai “está prestando todo o apoio necessário à profissional afetada” e confirmou a retirada preventiva da equipe da região.

“O Ministério realizou, nesta sexta-feira (6), uma reunião com outros órgãos do governo federal, como a Casa de Governo e a Funai [Fundação Nacional dos Povos Indígenas], para restabelecer os serviços de saúde e evitar a desassistência na região. O diálogo também envolverá lideranças e representantes do controle social da saúde indígena”, conclui a nota.

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