Militares empregaram aproximadamente 400 quilos de explosivos para inutilizar o aeródromo clandestino, apontado como ponto estratégico para a logística da atividade ilegal na Terra Indígena Yanomami.
Localizada a cerca de 265 quilômetros de Boa Vista, nas proximidades do rio Couto de Magalhães, a pista clandestina de Labilaska, situada dentro da Terra Indígena Yanomami, voltou a ser inutilizada durante uma operação conduzida pelo Comando Conjunto Catrimani II. O local é considerado fundamental para o apoio logístico do garimpo ilegal e já havia sido alvo de diversas intervenções ao longo dos últimos meses.
A ação ocorreu entre os dias 3 e 5 de fevereiro e deu sequência às operações coordenadas pela Casa de Governo em Roraima, iniciadas no fim de janeiro. O principal objetivo foi reduzir e enfraquecer o fluxo de suprimentos utilizado pelas organizações envolvidas na mineração ilegal na região.

Durante o reconhecimento e a varredura da área, os militares localizaram estruturas improvisadas e equipamentos utilizados por garimpeiros no transporte de materiais empregados na reconstrução de pistas clandestinas, evidenciando a tentativa recorrente de retomada das atividades ilegais.
Para a execução da missão, foi utilizado um helicóptero H-60 Black Hawk, da Força Aérea Brasileira (FAB), responsável pelo deslocamento das tropas do Exército Brasileiro (EB) até a região. No local, os militares empregaram cerca de 400 quilos de explosivos para realizar as detonações que tornaram a pista inutilizável.
“Foi empregado um helicóptero H-60 ‘Black Hawk’ da Força Aérea Brasileira para o transporte dos militares do Exército Brasileiro, que utilizaram aproximadamente 400 kg de explosivos para efetuar as detonações, reforçando a interoperabilidade e o esforço conjunto entre as forças”, informou o Comando Conjunto Catrimani II.
Interdições anteriores
A retomada das atividades ilegais na região de Labilaska não é um fato isolado. Em setembro de 2025, durante a Operação Haru, a mesma pista já havia sido neutralizada. Na ocasião, foram identificados diversos indícios de uso recente, como pegadas, marcas de pneus de quadriciclos, caixas de suprimentos, garrafas, carotes de combustível e antenas de comunicação danificadas.
Antes disso, em 29 de agosto de 2025, uma ação conjunta do Comando Catrimani II com agentes da Força Nacional resultou na localização de uma aeronave modelo Cessna 182 no local. O avião estava com o certificado de aeronavegabilidade suspenso, foi inutilizado e o piloto acabou preso em flagrante.
Já nos dias 23 e 24 de dezembro de 2025, novas operações levaram à interdição das pistas clandestinas de Labilaska e Caveira, após a confirmação de que os locais vinham sendo utilizados de forma recorrente para o transporte de materiais ligados à extração ilegal de minérios dentro da Terra Indígena Yanomami.
Ação conjunta e permanente
As operações integram um esforço contínuo das Forças Armadas para comprometer a logística do garimpo ilegal, manter pressão constante sobre rotas clandestinas e ampliar a proteção das comunidades indígenas. Segundo os militares, a capacidade de atuação permanente, em diferentes horários e áreas, é considerada essencial para o êxito das ações.
“Esse tipo de ação continuada é fundamental para desestimular o retorno dos garimpeiros, manter a pressão dissuasória sobre as rotas logísticas ilegais, consolidar o controle territorial, ampliar a proteção das comunidades indígenas e contribuir diretamente para a preservação ambiental”, destacou o Comando Conjunto.




