Ibama transforma apreensão contra garimpo ilegal em doação a entidades sociais

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) destinou cerca de 500 quilos de alimentos apreendidos durante uma operação de combate ao garimpo ilegal em Roraima a entidades sociais que atuam no estado. A carga, que seria transportada por via aérea para dar suporte logístico à atividade clandestina no município de Mucajaí, foi interceptada no dia 5 de fevereiro, em uma ação integrada com a Polícia Federal, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e a Força Nacional.

De acordo com o agente ambiental federal do Ibama, Flávio Nascimento, a fiscalização foi desencadeada após um alerta sobre a possível utilização dos alimentos como apoio logístico ao garimpo ilegal, no cumprimento da decisão da DPF 709, que estabelece medidas de proteção às terras indígenas e intensifica o enfrentamento à mineração ilegal nessas áreas.

“No local, parte do material precisou ser destruída por não haver condições de transporte. O que foi possível trazer até a superintendência foram os veículos e os gêneros alimentícios, totalizando cerca de 500 quilos”, explicou o agente ambiental.

Flávio Nascimento ressaltou ainda que, além da responsabilização ambiental, o Ibama também exerce um papel social, ao assegurar a destinação adequada dos produtos apreendidos.

“Dentro da DPF, nós também cumprimos essa função social, realizando a destinação dos alimentos apreendidos. Selecionamos associações que desenvolvem trabalhos relevantes para a sociedade ou que mantêm acordo de cooperação com o Ibama”, afirmou.

Do crime à ação social

Após a apreensão, os alimentos foram encaminhados à Superintendência do Ibama em Roraima e tiveram destinação social, conforme previsto na Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), no Decreto nº 6.514/2008 e na Instrução Normativa Ibama nº 19/2014.

Parte dos produtos foi destinada a associações de catadores vinculadas ao Fórum Estadual Lixo e Cidadania de Roraima (FELC), enquanto outra parcela foi encaminhada à Associação Grupo de Mães Anjos de Luz.

A coordenadora-geral do FELC, Jéssica Góes, explicou que o fórum será responsável pela redistribuição dos alimentos entre as entidades que o integram.

“O fórum está recebendo os alimentos juntamente com a Associação Terra Viva, que ocupa a vice-coordenadoria. A partir desse recebimento, vamos fazer a divisão entre as associações participantes. Nosso objetivo é contemplar todos que fazem parte do fórum”, afirmou.

Uma das entidades beneficiadas foi a Associação dos Catadores Terra Viva, que atualmente reúne 22 famílias envolvidas diretamente na coleta e triagem de materiais recicláveis, como garrafas PET, papelão, plástico, metais e, mais recentemente, lixo eletrônico. A atuação ocorre por meio de parceria com o Ibama, responsável por destinar resíduos ao Ecoponto administrado pela associação.

Segundo a presidente da entidade, Charana Meire, a doação representa um reforço importante para a segurança alimentar das famílias atendidas.

“Esses alimentos vão chegar à mesa de mães que são chefes de família. É um apoio fundamental, não apenas pela alimentação, mas também pela parceria socioambiental com o Ibama. O trabalho com recicláveis garante geração de renda para essas famílias”, destacou.

Outra parte da carga foi destinada à Associação Grupo de Mães Anjos de Luz, instituição que atua há 17 anos no atendimento a pessoas com deficiência física, intelectual e múltipla. Com sede no bairro Caranã, em frente à Praça Cabos e Soldados, a entidade atende cerca de 15 mil associados e realizou aproximadamente 28 mil atendimentos somente em 2025.

A associação oferece serviços como acompanhamento psicológico, psiquiátrico e neurológico, além de fisioterapia, terapia ocupacional, hidroterapia, assistência social e distribuição de alimentos, cestas de frutas e verduras.

A presidente da instituição, Conceição Gomes, ressaltou que a associação depende exclusivamente de doações para manter suas atividades.

“Nós vivemos do bom coração do povo roraimense e de parceiros como o Ibama. Aquilo que seria utilizado para a prática de um crime agora vai se transformar em alimento na mesa de quem realmente precisa”, declarou.

Segundo Conceição Gomes, a previsão é de que os alimentos comecem a ser distribuídos nos próximos dias, priorizando famílias em situação de maior vulnerabilidade social.

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