O comandante-geral da Polícia Militar de Roraima, coronel Overlan Lopes Alves, informou sobre a abertura de uma investigação interna contra uma oficial da corporação após a divulgação de um vídeo nas redes sociais que critica a desvalorização salarial e as políticas do Governo do Estado em relação à segurança pública.
Embora não tenha mencionado diretamente a oficial, o comandante destacou que a major Adriane Severo utilizou as redes sociais para atacar “a imagem da Polícia Militar e do Governo do Estado”. Ele afirmou que essa atitude infringe normas da legislação militar e já resultou na abertura de um procedimento administrativo, que pode se transformar em uma sindicância.
“Essas ações, atitudes e comportamentos são reprovados pela nossa legislação. O oficial ou a praça que adotar esse tipo de postura passará por investigação e, se a irregularidade for comprovada, será devidamente sancionado”, declarou.

O anúncio ocorreu durante um evento oficial do Governo, que marcou o lançamento da pedra fundamental da nova sede do Instituto de Previdência do Estado de Roraima (IPER), realizado no dia 16 de janeiro.
Em seu discurso, o comandante não menciona o nome da oficial, mas afirma que se referia a uma integrante da Polícia Militar que teria usado as redes sociais para difamar a corporação.
O Roraima em Tempo entrou em contato com a PMRR para obter esclarecimentos e aguarda uma resposta.
Críticas
No vídeo divulgado pela major Adriane, ela expressa sua insatisfação com a falta de valorização da tropa e recorda que a PMRR já foi uma das mais bem remuneradas do país, mas atualmente ocupa uma das últimas posições salariais. A oficial também ressalta que a categoria enfrenta mais de 10 anos sem reajuste.
“Entrega de viatura não paga escola, vídeo bonito não enche a geladeira, e discurso sem ação não garante dignidade para ninguém”, enfatiza a militar.

No conteúdo, a major questiona as recentes medidas aprovadas pela Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR), que ela classifica como “politiqueiras” e insuficientes para compensar as perdas acumuladas. Além disso, ela enfatiza que a Polícia Militar não foi adequadamente contemplada na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026.
“Após muita pressão por não termos sido incluídos na LOA, a Assembleia convocou uma sessão extraordinária onde foram votadas algumas medidas politiqueiras, que podem ser benéficas para uma parte da categoria, mas que de forma alguma corrigem mais de 10 anos sem reajuste salarial. A sensação que tivemos é que essas medidas foram uma clara tentativa de silenciar nosso clamor e calar nossa voz”, afirmou a policial.
Ainda no vídeo, Adriane menciona que a categoria elaborou, há um ano, um estudo técnico sobre o impacto orçamentário de um possível reajuste salarial. Contudo, segundo ela, o material não teria sido analisado pelos órgãos competentes. A policial também critica a criação de secretarias extraordinárias pelo governador Antonio Denarium (Progressistas), ressaltando que os custos para mantê-las seriam superiores ao impacto de um reajuste para a corporação.
Apoio
A repercussão do caso gerou uma onda de mensagens de apoio à oficial, incluindo um projeto que denuncia a violência contra as mulheres. Em nota, o movimento “Todos por Elas” expressou solidariedade à major Adriane Severo, afirmando que “mulheres que se posicionam não podem ser expostas ou silenciadas” e garantindo que a militar “não está sozinha”.





