Após mais de duas décadas, galeras reaparecem em Boa Vista; situação se complica.

Problema havia sido erradicado com trabalho feito com projetos como Meninos do Dedo Verde e Projeto Crescer

Boa Vista reviveu uma cena comum de anos atrás ao registrar a presença de galeras dentro de um shopping da capital no início do mês. Diversos jovens assombraram os frequentadores do local e precisaram ser contidos pela Polícia Militar, que evitou um confronto entre os grupos.

Quem viveu em Roraima nas décadas de 1990 e início dos anos 2000 sabe o tamanho do problema enfrentado pela então prefeita Teresa Surita (MDB), que lidou não apenas com a onda de violência, mas também com parte da população que não concordava com os projetos idealizados pela gestora, que acolhiam os membros das galeras.

Foi com visão futurista, conhecimento e coragem que Teresa, à época, conseguiu mudar o rumo da história de vários adolescentes e jovens que, até então, estavam desacreditados.

Meninos do Dedo Verde e Crescer
Foi ouvindo e valorizando o potencial desses jovens com projetos como “Menino do Dedo Verde” e “Projeto Crescer” que os grupos foram se desfazendo aos poucos até desaparecerem. Até Teresa conseguir esse feito, muitos pais perderam seus filhos em confrontos quase diários, que assustavam moradores de diversos bairros.

Mas o que aconteceu para que as galeras ressurgissem aos poucos em Boa Vista? A imigração? A falta de oportunidades? Ou o modelo de trabalho com esses jovens, que muitas vezes não estudam, não trabalham e não têm qualificação?

Muitas perguntas, poucas respostas e a certeza de que, se nada for feito a curto e médio prazos, as coisas vão piorar bastante na capital. Se, por um lado, a segurança pública de Roraima está negligenciada e os policiais militares estão desvalorizados, por outro, os projetos precisam adotar a mesma metodologia e garantir que esses meninos e meninas tenham oportunidades de serem inseridos na sociedade e no mercado de trabalho.

Caso contrário, viveremos tempos tenebrosos novamente, porém em um cenário muito mais grave. Se antes os membros das galeras utilizavam facas, facões e terçados, agora, com a fronteira desprotegida e o fluxo migratório crescente, brasileiros e estrangeiros poderão usar armas de fogo, tornando-se muito mais letais do que nos anos 90.

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