O ex-governador de Roraima, Edilson Damião (União Brasil), afirmou que poderá desistir da disputa pelo Governo do Estado nas eleições de outubro de 2026. Em entrevista exclusiva, ele declarou que a ausência de apoio do Governo do Estado e da Prefeitura de Boa Vista compromete a viabilidade de uma candidatura ao Palácio Senador Hélio Campos.
Segundo Damião, a estrutura administrativa dos governos exerce papel decisivo nas disputas eleitorais, especialmente em Roraima. Para ele, tanto a máquina estadual quanto a municipal influenciam diretamente o resultado das eleições.
“O União Brasil é um partido forte, com representação na Assembleia Legislativa, mas a máquina do Governo faz diferença em qualquer eleição. Em Boa Vista, a Prefeitura também tem um peso importante, e no interior o Governo exerce grande influência”, afirmou.
Decisão deve ser tomada até as convenções partidárias
O ex-governador informou que pretende definir seu futuro político até o período das convenções partidárias, previsto para este mês. Caso desista da disputa pelo Executivo estadual, ele considera concorrer a uma vaga no Senado ou à Câmara dos Deputados.
Segundo Damião, a decisão será tomada em conjunto com a direção estadual do União Brasil e após conversas com partidos aliados, entre eles o Republicanos.
Ele afirmou que pretende discutir o cenário com lideranças como o presidente estadual do União Brasil, Pastor Diniz, a bancada do partido, o deputado estadual Soldado Sampaio e o ex-prefeito Arthur Henrique, eleito como o candidato mais votado na eleição suplementar. De acordo com o ex-governador, a definição dependerá também da viabilidade jurídica de sua candidatura.
Dúvida jurídica
Durante a entrevista, Damião afirmou existir uma dúvida jurídica sobre sua elegibilidade para as eleições de 2026. O questionamento está relacionado ao prazo de desincompatibilização de seis meses exigido pela legislação eleitoral para ocupantes de cargos públicos.
Segundo ele, a situação ocorreu porque deixou o cargo de governador apenas em 30 de abril, após decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), data posterior ao prazo previsto para o afastamento.
Na avaliação do ex-governador, ele permaneceu no cargo porque ainda exercia regularmente o mandato até a decisão da Justiça Eleitoral. Damião argumenta que não deu causa ao atraso do julgamento e sustenta que, se a decisão do TSE tivesse ocorrido antes, teria cumprido o prazo de desincompatibilização estabelecido pela legislação.
Até o momento, não há definição judicial sobre a possibilidade de o ex-governador disputar as eleições de 2026. A questão deverá ser analisada pela Justiça Eleitoral caso sua candidatura seja oficializada nas convenções partidárias.




