O Hamas anunciou nesta segunda-feira (6) a dissolução do governo que administra a Faixa de Gaza desde 2007, encerrando quase duas décadas de controle político sobre o território palestino. Segundo o grupo, a decisão faz parte de uma tentativa de destravar as negociações para um acordo de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos.
Em comunicado, o chefe do Gabinete de Mídia do Governo (GMO) do Hamas, Ismail al-Thwabta, informou que a organização está preparada para transferir a administração civil da Faixa de Gaza ao Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), órgão criado para assumir a gestão do território após o fim do conflito.
De acordo com o dirigente, o Hamas já concluiu os procedimentos administrativos e legais necessários para a transição e solicitou que mediadores internacionais e a comunidade internacional pressionem Israel a autorizar a entrada do comitê em Gaza para o início de suas atividades.
O grupo afirmou ainda que os cerca de 60 mil servidores da atual administração poderão permanecer em seus cargos sob a gestão do novo comitê.
Apesar do anúncio, o Hamas não mencionou qualquer compromisso com o desarmamento de sua ala militar, uma das principais exigências de Israel para avançar à segunda fase das negociações do cessar-fogo.
Na prática, especialistas avaliam que a decisão tem efeito imediato limitado, já que o Hamas continua exercendo controle sobre as áreas da Faixa de Gaza que não estão ocupadas pelas forças israelenses e mantém influência sobre a segurança no território.
Conselho de Paz cobra medidas concretas
O Conselho de Paz, responsável por acompanhar a implementação do acordo de cessar-fogo, informou que recebeu o anúncio, mas afirmou esperar ações concretas.
Em publicação na rede social X, o órgão voltou a defender que Gaza tenha “uma autoridade, uma lei e uma arma”, reiterando o pedido para que o Hamas também entregue seu arsenal militar como parte do processo de transição.
O Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG) foi criado em outubro de 2025 dentro do plano de paz mediado pelos Estados Unidos para administrar o território durante o período de reconstrução e transição política. No entanto, o grupo permanece sediado no Cairo e ainda não conseguiu iniciar suas atividades, já que sua entrada em Gaza depende de autorização do governo israelense.
Até o momento, não foi divulgado um cronograma para a transferência da administração nem para a implementação das próximas etapas do acordo de cessar-fogo. As negociações continuam sem avanços significativos, e o anúncio do Hamas é visto como uma tentativa de retomar o diálogo entre as partes.
Entenda o conflito
A Faixa de Gaza é um território palestino de aproximadamente 365 quilômetros quadrados, localizado entre Israel e o Egito, às margens do Mar Mediterrâneo. Com cerca de 2 milhões de habitantes, a região está entre as áreas mais densamente povoadas do mundo.

Israel retirou seus assentamentos e tropas permanentes do território em 2005. No ano seguinte, o Hamas venceu as eleições legislativas palestinas e, após confrontos com o partido Fatah, assumiu o controle de Gaza em 2007. Desde então, a Autoridade Palestina administra parcialmente a Cisjordânia, enquanto o Hamas permaneceu no comando da Faixa de Gaza.
Desde 2007, Israel e Egito mantêm restrições à circulação de pessoas e mercadorias na região por motivos de segurança. O Hamas é classificado como organização terrorista por países como Estados Unidos, Reino Unido e integrantes da União Europeia, enquanto outros países adotam posições diferentes sobre essa classificação.
A guerra em curso começou em outubro de 2023, após um ataque do Hamas ao sul de Israel que matou cerca de 1,2 mil pessoas e resultou no sequestro de centenas de reféns. Em resposta, Israel iniciou uma ofensiva militar na Faixa de Gaza, conflito que provocou uma grave crise humanitária e destruiu grande parte da infraestrutura do território.




