TSE cassa mandato de Damião, torna Denarium inelegível e determina novas eleições em Roraima

O Tribunal Superior Eleitoral decidiu, nesta terça-feira (28), cassar o mandato do governador Edilson Damião (União Brasil), declarar a inelegibilidade do ex-governador Antonio Denarium (Republicanos) até 2030 e determinar a realização de novas eleições em Roraima.

A decisão foi tomada após cerca de 1h30 de julgamento, no qual a maioria dos ministros entendeu que houve abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.

Apesar da formação de maioria, a presidente do TSE, Cármen Lúcia, adiou para quinta-feira (30) a proclamação oficial do resultado, a pedido do ministro André Mendonça, que irá complementar seu voto.

Com a decisão, Denarium — que renunciou ao cargo em março — fica impedido de disputar eleições até 2030, incluindo uma possível candidatura ao Senado. Já Damião deverá deixar o cargo após a conclusão do julgamento, mas ainda poderá concorrer nas eleições de outubro, conforme entendimento atual.

Com a vacância, o presidente da Assembleia Legislativa de Roraima, Soldado Sampaio (Republicanos), assumirá o governo do Estado de forma interina até a realização de eleição suplementar.

Julgamento e votos

A maioria dos ministros acompanhou o voto da relatora Isabel Gallotti para condenar a chapa. Também votaram pela cassação ministros como Estela Aranha e Floriano Peixoto de Azevedo Marques Neto.

O placar final formou maioria pela cassação e pela inelegibilidade de Denarium, com divergências pontuais quanto à extensão das condenações.

Entenda o caso

A ação foi movida após as eleições de 2022 pela coligação da ex-prefeita de Boa Vista, Teresa Surita (MDB), que acusou a chapa de cometer irregularidades eleitorais.

Entre as práticas apontadas estão:

  • Distribuição de benefícios sociais em ano eleitoral;
  • Uso de programas públicos com possível finalidade eleitoral;
  • Transferência de recursos a municípios aliados;
  • Uso de publicidade institucional para promoção pessoal;
  • Nomeações em massa às vésperas do pleito.

Parte dessas acusações já havia resultado em decisões semelhantes no âmbito do Tribunal Regional Eleitoral de Roraima.

A defesa dos envolvidos sustenta que as ações foram legais e ainda pode recorrer da decisão do TSE.

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